domingo, 6 de maio de 2012

A Consciência do Ator

O que separa o ator do personagem? Um ator empresta o próprio corpo e voz ao seu personagem, mas deve manter-se consciente como ele mesmo. É essa consciência que o permite lembrar de texto e marcações, improvisar se algo der errado e outros detalhes técnicos extremamente importantes para o bom andamento da trama encenada e ao mesmo tempo, ele deve ter a consciência do personagem... Aquela que sente, que vive a situação da peça, que tem sua própria história e experiências de vida. Mas o que os separa? São dois seres distintos. Um com toda a sua vivência pré-definida pelo autor da obra e outro que escreve sua própria história de vida todos os dias. A arte pode transformá-los em um só ser, ainda que individualmente. Confuso?

Se a consciência do ator e a do personagem devem estar em alerta simultaneamente e o tempo todo, então a linha que separa ambas é extremamente delicada. É como a linha do Equador, os Trópicos ou Meridiano de Greenwich... Linhas imaginárias! Divisões invisíveis, porém eficazes. Limites imensuráveis. Não podemos ver, nem tocar, mas sabemos que existem e estão lá demarcando.

Um ator que vive um vilão em uma novela corre o risco de ser xingado ou até apanhar na rua. A individualidade do ator é confundida com a do personagem. E não é à toa, já que aquela linha imaginária que os separa é tão tênue.

Não é de se admirar que existam histórias de atores que enlouqueceram. Que se viram tão inseridos no íntimo do personagem que se esqueceram de si próprios. Ainda que possam ser apenas histórias fantasiosas, não é mesmo algo para se pensar? Será possível um ator esquecer completamente de si mesmo e passar a viver a vida do personagem? Será que em algum momento as duas consciências podem deixar de coexistir e apenas uma imperar? Um ator pode deixar de existir como ele mesmo nem que seja por um segundo? E seguindo a lógica de que o personagem só se torna físico com o auxílio de um ator, poderia ele existir verdadeiramente por conta própria? Se o ator empresta o corpo e a voz ao personagem mantendo sua própria consciência, então realmente há limite entre os dois. E esse limite deve ser respeitado! Se o personagem morre, morre sozinho... O ator permanece vivo!

O ator deve convencer o público de que sente pelo personagem, mas não deve “sofrer” por ele. Se o personagem leva um soco e tem o nariz quebrado, o ator usará de artifícios para convencer que está sentindo a dor de ter o nariz quebrado. Ele não irá quebrar o nariz de verdade. O ator deve convencer, transmitir verossimilhança mesmo sem o uso de artifícios. Outro exemplo, uma atriz pode fazer o público acreditar que está sentindo contrações de parto sem sequer estar grávida. A intenção do ator de transmitir a verdade deve obter sucesso sem que ele precise “sofrer as consequências”. Um ator deve ser capaz de sentir pelo personagem sem que seja necessário sentir na própria pele, sentir por sua individualidade e consciência. É isso, é isso que os separa!

terça-feira, 24 de abril de 2012

A magia do antes, durante e depois

O ritual começa antes mesmo de sair de casa, às vezes ainda no dia anterior... Separo tudo o que vou precisar e guardo cuidadosamente na mochila. Reviso todos os itens três vezes pra ter certeza de não estar esquecendo nada. Ainda assim, minutos antes de sair penso em cada detalhe pra ver se realmente não falta nada. Claro, também não como chocolate no dia, pois mela as cordas vocais e prejudica a performance.
Chego no local horas antes, tendo tempo de aprontar as coisas para que tudo seja perfeito. Ao entrar já sinto o cheiro... Aquele cheiro inconfundível de arte (embora em alguns lugares esse cheiro se misture ao cheiro de mofo, de lugar fechado).
Vou até o camarim, penduro o figurino num cabide na arara ou esticada em cima de uma cadeira, o calçado também fica ali por perto, coloco a maquiagem, grampos e uma escova de cabelo em cima do balcão a frente do espelho.
Vou para o local sagrado, a caixa mágica, o palco! Deve-se respeitá-lo! Fico descalça pra sentir toda energia transmitida pela quartelada. Caminho devagar do proscênio à rotunda, observando cada detalhe de cima a baixo... Ah, olhar para a plateia ainda vazia e imaginar o lugar lotado de espectadores dá até um calafrio!... Continuo meu reconhecimento do espaço e se o espetáculo possui cenário, me familiarizo com ele tocando cada objeto para me sentir o mais a vontade possível. Enquanto isso, acompanho as nuances de luz criada pelo técnico que está afinando a iluminação.
Reunião de elenco... Hora de acertar os últimos detalhes, de ouvir os últimos apontamentos da direção, tirar dúvidas, passar uma cena ou outra, talvez bater texto... E a hora da apresentação vai se aproximando!
Eu e meus colegas de cena vestimos nossos figurinos, fazemos nossas maquiagens, ajudamos um ao outro a se arrumar. A tensão vai aumentando e litros de água são bebidos por todos durante esse tempo. Deixo também uma garrafinha na coxia pra tomar um gole quando tiver uma chance de sair de cena. Fazemos um aquecimento de corpo e voz e eu tento não pensar no texto pra não ficar ainda mais nervosa.
O operador de som coloca um CD para o público ouvir enquanto aguarda... Está quase na hora de abrir as portas... Um último teste com a iluminação e a cortina se fecha para não estragar a surpresa.
As portas do teatro são abertas permitindo a entrada do público, que aos poucos vai se acomodando em seus lugares... Posso ouvir o burburinho, parece que teremos casa cheia!... Mais um gole d’água e ai, preciso ir ao banheiro! A ansiedade paira nos bastidores... Dá-se o primeiro sinal!
Alguém diz “merda!” e todos repetem com convicção. O elenco se posiciona nas coxias, respira fundo... De tão nervosa, respiro errado e sinto minhas mãos, pés e rosto completamente adormecidos, parecem anestesiados... Dá-se o segundo sinal e não há mais pra onde fugir!
A música de sala é substituída por uma voz que pede que todos os celulares sejam desligados e que os presentes não tirem fotos com flash, pois isso atrapalha os atores (e como atrapalha!). A voz diz o nome do espetáculo, do autor, diretor e às vezes de todo o elenco, técnica e até uma breve sinopse... Dá se o terceiro sinal! Chegou a hora!
As luzes da plateia se apagam, a cortina abre-se aos poucos revelando a cenografia e entro em cena... A anestesia passou dando lugar a um tremor. Esse primeiro minuto em cena é o mais tenso. Vou relaxando e sem perceber já estou completamente imersa na trama do texto, não sou mais eu ali, é o personagem. Mesmo que esteja consciente enquanto eu mesma, é inevitável! Uma das maiores glórias do ator é ter o poder de prender a atenção dos que o assistem, levar os olhares pra onde quiser, fazê-los crer nas ações e situações interpretadas e que todas as palavras que saem de sua boca são verdadeiras. O ator está no comando e nessa posição têm a responsabilidade e o dever de entreter, divertir, ensinar e instruir.
O espetáculo envolve os espectadores, fazendo-os interagir e sentir as emoções da história. Tudo graças aos atores que são como Deuses quando estão no palco, que é o seu altar. Mal percebo o passar do tempo e quando me dou conta do ponto do texto em que estamos, penso: “Nossa, mas já? A peça tá perto do fim. Será que pulamos alguma parte?” Não, é que tudo ocorre tão naturalmente, tão harmoniosamente, é tudo tão bom que parece passar depressa. As reações do público vão nos dando ainda mais força. O elenco deleita-se quando percebe que a plateia está envolvida, entregue, atenta e curtindo cada momento.
Agora sim, a peça se aproxima do fim... Reviravoltas, revelações, clímax e resoluções encerram a trama. Blackout! Os aplausos tomam conta do ambiente e aumentam ainda mais quando as luzes se acendem novamente e os atores aparecem juntos para agradecer... Alguns têm lágrimas nos olhos! É lindo mesmo! Meu sentimento nesse momento é um misto de alívio e de dever cumprido.
Após os devidos agradecimentos, o elenco se abraça, se elogia, se parabeniza! Os familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos querem compartilhar desse momento. Alguns invadem o palco e os camarins. Querem abraçar todos, dar os parabéns, falar sobre alguns momentos que ficarão marcados na memória de quem assistiu.
Eu me sentindo cansada e ao mesmo tempo maravilhosamente realizada, arrumo minhas coisas pra poder voltar pra casa e descansar. Que sensação boa!
Todo o ritual se repetirá todas as vezes. O frio na barriga será sempre o mesmo, os calafrios, a anestesia, o tremor, a emoção, a grandeza.
E assim é sempre! E que assim seja!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Drama: "Por Hoje!"

Como já disse anteriormente, comecei a fazer teatro em 2001. Durante minha permanância de 8 anos na Cia. Teatral As Três Faces da Lua em Santos/SP, posso contar nos dedos quantas vezes fiz um trabalho que não fosse um drama. Primeiramente devido à linha de trabalho do diretor e segundo porque minha veia dramática é "mais grossa" do que a cômica. Após esses 8 anos, me afastei do fazer teatral por motivos que acredito que não devo revelar aqui. 

Em meados de 2010, vim à São Paulo assistir o espetáculo de um amigo. Foi então que conheci meu marido e diretor de teatro. Comecei a trabalhar na Katinsk Produções e desde então, minha veia cômica tem sido trabahada e "engrossado"! hehe

Na quarta-feira da semana que vem, dia 25 de abril, voltarei ao drama com a estréia do espetáculo "Por Hoje!" com texto e direção de Jorge Katinsk (meu maridão hehe). Então gostaria de aproveitar este meu espaço para divulgar o trabalho e convidar todos os visitantes.

 
"Por Hoje!" é um espetáculo que nos fala sobre a família, sobre o amor. É denso, é tenso, cínico, eletrizante e comovente. Venha conhecer a nossa história, que também pode ser a sua.

No elenco: Hellen Bravo, Jorge Katinsk, Luana Marcelino, Patrícia Marcelino e Irene Rangel.

Apresentação única! Dia 25 de abril às 20h30 no Teatro Santo Agostinho (Rua Apeninos nº118 - Liberdade/SP - próximo à estação Vergueiro do metrô)

Classificação: 10 anos. Ingressos: R$40 e R$20 (estudantes).

Conto com a presença de todos! Prestigiem!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Dores do ofício

Quem diz que fazer teatro não é perigoso nunca fez teatro. Sou estabanada por natureza, mas quando acontece em cena a coisa muda.

Conheço histórias de colegas de profissão que sofreram um corte na perna por uma tábua fraca que se partiu, um que furou o pé num prego, outro que trincou um osso ao descer do palco, escorregar e cair de bunda então está no topo da lista de acidentes e por aí vai.... Eu já abri o pulso ensaiando, mas o meu karma é machucar os joelhos! Meus joelhos sentem uma atração inexplicácel pelo tablado e mesmo quando eu não fico de joelhos em cena, eles dão um jeitinho de se jogar. 

Se não me engano, tive marcações de cena que ficava de joehos em pelo menos cinco trabalhos que fiz desde o começo da minha carreira. E, pelo que posso me lembrar agora, cai em cena machucando os joelhos em mais uns três. Agora estou ensaiando um espetáculo com estréia marcada pro fim desse mês e adivinhem? Sim, olha eu machucando os joelhos mais uma vez! Antes que alguém pense, não estou reclamando! Mas ô karma! hahaha 

Acidentes acontecem, é normal! Mas que tal estar em cena vendo faíscas saindo de um refletor bem em cima da sua cabeça? Aí eu penso: eu já quase botei fogo na cortina do Teatro Brás Cubas (Teatro Municipal de Santos) e ainda bem que ficou no quase. Mas o que fazer se tudo der errado? É beeeem aquele tipo de coisa que já causou pesadelos em qualquer ator.

Estamos sujeitos à esse tipo de coisa em qualquer atividade. Mas só diz que "fazer teatro é seguro" ou algo assim que nunca caiu de cara no chão em cena durante uma apresentação como já aconteceu comigo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Duas horas e meia em quinze minutos

Numa outra postagem mecionei um trabalho que fiz em que levava cerca de duas horas e meia pra me aprontar, pois bem, falarei mais dele hoje:

Foi em "... Eternamente...". Uma cena de 15 minutos inspirada no conto "O Retrato Oval" (ou "O Retrato Ovalado") de Edgar Allan Poe. O texto é lindo e a cena, fidelíssima, ficou emocionante também. 

Pra apresentar essa cena havia todo um verdadeiro ritual. Fazia babyliss no cabelo todo e prendia (só isso levava cerca de uma hora e meia), depois fazia a maquiagem e todo o conjunto tinha que ficar idêntico ao quadro. Por fim, colocava o vestido que era composto de dois saiotes para dar volume, a saia e o corpete. O resultado você vê na foto abaixo:
A estréia foi num festival de cenas de Santos, o FESCETE. Entrei em cena tremendo e como é possível ver no vídeo abaixo, o início da cena era mágico, romântico... E eu tremendo. Quando chegou o momento de começar o texto em si eu respirei fundo e dali em diante relaxei. Meu maior conforto foi perceber, no decorrer da cena, que meu companheiro Daniel Maia estava tão tenso quanto eu, as mãos dele estavam frias. Mas deu tudo certo! Essa apresentação nos rendeu alguns prêmios e minha primeira indicação ao prêmio de Melhor Atriz. 
Cerca de duas horas e meia pra me arrumar pra ficar quinze minutos em cena e morrer no final. E como valia a pena! A cena era maravilhosa, meu companheiro de cena não poderia ser melhor e o texto e a direção de Waldir Correia eu sou suspeita pra falar, pois sou super fã! Agradeço imensamente pela oportunidade de fazer um trabalho tão bonito quanto este e por ter começado com um diretor tão atencioso e que hoje faz tão parte da minha vida que o considero da família, é meu segundo pai.
Abaixo vai um vídeo com a cena. Perdoem a falha técnica no final da gravação, mas dá pra ter uma boa idéia e apreciar o trabalho. Espero que gostem!


terça-feira, 27 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

Produção

Dia desses conversando com um amigo fiz o seguinte comentário: "Acho que só devia ser permitido dizer que faz (ou que já fez) teatro por quem já construiu um palco". Claro que não literalmente! hahaha O que eu quis dizer é que só se pode dizer que se faz teatro quando se participa de todas as etapas, do processo completo do fazer teatral. 

Fazer teatro é muito mais do que estar no palco. Fazer teatro é carregar e montar cenário, abrir cortina, operar luz/som, costurar figurino, enfim... "Construir um palco"!

Eu mencionei numa postagem anterior que se deve ser gentil com os técnicos da produção de um espetáculo, pois todos têm a mesma importância. E é isso mesmo! Um ator sozinho em cena sem qualquer recurso desempenha bem sua função, mas se tiver alguém pra abrir as cortinas, dar play no som, acender e apagar as luzes, etc. é muito mais interessante! O figurino, a iluminação e tantos outros componentes enriquecem um espetáculo e um bom convívio entre todos os envolvidos reflete positivamente no trabalho.

Eu já tive o prazer de estar no palco e nos bastidores e posso dizer com certeza que o nervosismo, a emoção e o orgulho no final são os mesmos! Estar operando o som, por exemplo, é tão gratificante quanto estar em cena. Dá orgulho ver um trabalho sendo admirado e saber que se você não estivesse ali pra acender as luzes o espetáculo não aconteceria ou que se você não estivesse em cena para viver o personagem também não!

Abaixo vai uma foto que comprova minha dedicação na produção de um espetáculo. hehe
 Fazer teatro é conhecer e participar ativamente de cada pedacinho dele!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Teoria Vs. Prática

Quando digo que sou atriz e que faço teatro desde 2001, algumas pessoas me perguntam coisas do tipo "Você é formada?"... "Fez curso onde?"... Aí, entre outras coisas, vem a mente a seguinte frase: "Não somos nós que escolhemos a arte. É a arte quem nos escolhe!"

Não, não sou formada! Pretendo um dia me especializar sim, mas até o momento minha maior base teórica é minha própria curiosidade e pra não dizer que não tem mais nada, fiz um curso de História do Teatro há alguns anos. Sempre fui autodidata, se quero saber mais sobre algo pesquiso, corro atrás e me informo. Com o teatro, minha maior paixão, não poderia ser diferente. Inclusive, minhas pesquisas constantes sobre o assunto renderam um rico conteúdo no meu site Desvendando Teatro, que hoje ajuda muitas outras pessoas que desejam saber mais sobre teatro.

Mas de que adianta as teorias, saber que o primeiro ator foi Téspis, que  Augusto Boal foi fundador do Teatro do Oprimido ou que o Teatro do Absurdo foi criado na segunda metade do século XX se na prática, no palco, não pensamos em nada disso? Um ator pode ser impecavelmente maravilhoso em cena sem saber que o nome do pano preto que fica no fundo do palco é rotunda.

Claro que é interessantíssimo conhecer a teoria, saber cada detalhe do que está fazendo. A teoria é importante sim, mas não é tudo! Na hora do vamos ver, de encarar a platéia e transmitir verossimilhança não há Stanislávski que te ajude. Tá contigo e pouco vai importar se você conhece e/ou utiliza (consciente ou incoscientemente) o método de interpretação mais lembrado do mundo.

quinta-feira, 8 de março de 2012

"Textando"

Sempre ouvi muita gente falando sobre a dificuldade pra decorar um texto. Acho até que algumas pessoas confundem a decoreba usada na escola quando vamos fazer uma prova com decorar um texto a ser interpretado. É diferente! Claro que algumas técnicas utilizadas são as mesmas ou bem parecidas, mas é diferente! Um detalhe a ser levado em consideração é que na hora de decorar um texto algumas pessoas decoram somente a sua parte, as suas falas e acabam por saber ´só uma parte da história a ser contada em cena. É indispensável que o ator saiba todo o texto e não apenas as suas partes. Sabendo todo o texto fica mais fácil improvisar no caso de um branco e ajudar um colega meio perdido em cena também. É preciso conhecer bem todo o contexto da história.

Continuando na ordem cronológica dos acontecimentos... Minha estréia com texto (vamos dizer assim) foi no espetáculo "As Traíras" o qual mencionei no post anterior que comecei na figuração. Mas a estréia, digamos, pra valer mesmo, foi na cena "... Eternamente..." (cena de 15 minutos que eu levava 2 horas pra me apronta e morria no final, mas isso eu conto melhor em outro post).

Nunca tive dificuldade pra decorar texto. E nessa época, me dedicava com afinco à tarefa! Com o tempo fui me sentindo mais segura e hoje, até pela urgência exigida no Teatro Empresarial (também falarei melhor disso depois), tenho ainda mais facilidade pra decorar. Essa semana mesmo, eu tinha um texto de 7 páginas pra decorar pra noite de segunda. Peguei no texto só no dia, li umas 5 vezes no máximo e no ensaio da noite, estava com ele decorado. Claro que engasgava numa coisa outra, mas estava decorado. Até mesmo porque, por mais decorado que esteja um texto, quando chega a hora de ensaiar sem ele pra ler... Tudo complica! Dá branco e você diz pra você mesmo: "Puxa, mas tava decorado!" É assim mesmo!

Existem algumas técnicas pra decorar texto. Pra mim só funciona duas delas: a primeira é ler, ler, ler, reler, reler e reler o texto todo. E a segunda é escrever o texto. Vez ou outra, depois de ter lido e relido diversas vezes, eu leio o texto tapando as minhas falas com alguma coisa. Aí eu leio o texto, digo a minha fala e depois confiro. Mas isso é só uma forma de eu me certificar que estou com o texto realmente decorado.

A verdade é que não há segredo algum. A forma mais eficaz de se decorar um texto e se concentrar e ler vááááááááárias vezes até já estar tão gravado na mente que a leitura começa a entediar de tanto que você já conhece a história em seus mínimos detalhes. 

A leitura é muito importante e pra um ator é ainda mais! Infelizmente, a correria do dia a dia nos impossibilita de exercitar mais a leitura como deveríamos. Mas é sempre uma boa pedida substituir algumas horas na frente do computador pelas páginas de um livro ou de um texto a ser decorado e/ou encenado. 
E então, vamos ler mais?



PS: Feliz Dia Internacional da Mulher para todas! E até a próxima postagem...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Tamanho do Personagem

Minha primeira experiência no palco foi no chamado elenco de apoio ou figuração, se preferirem. 

É engraçada a forma de pensar de algumas pessoas... Acham que personagem bom é personagem com fala, o protagonista ou antagonista. Acredito na frase que diz: "Não existe personagem pequeno, existem atores pequenos e seus egos inflamados". Se um ator se doa totalmente, se dedica de verdade ao trabalho, seja qual for o personagem, ele irá brilhar! Pode ser um simples traseunte que passa láááá no fundo da cena, mas vai brilhar! Quando falo desse assunto, me lembro sempre do ator Rodrigo Santoro numa entrevista em que falava de sua participação no filme "As Panteras". O cara aparece umas 4 ou 5 vezes no filme, entra mudo e sai calado em todas elas e o que ele disse a respeito? "Dei o melhor de mim!" Fato comprovado já que após essa  participação singela, ele foi um dos personagens centrais do filme "300". Se valeu a pena? Claro que valeu! E o personagem podia não ter uma carga tão grande, mas ele fez o seu melhor e foi recompensado por isso. Não estou dizendo que um ator deve aceitar qualquer personagem pensando nos frutos que isso possa trazer, mas sim que deve se doar da mesma forma em todos os trabalhos que fizer. Sempre com a mesma dedicação, com o mesmo amor e profissionalismo.

Voltando à mim: A primeira vez que participei de um espetáculo, foi na figuração. E garanto, na hora o nervosismo é tão grande que você nem pensa na "importâcia" do seu personagem, você só quer que acabe logo pra você relaxar. Mas aí, o espetáculo vai rolando, vai se aproximando do final e você pensa: "Mas já? Foi tão rápido!" E só quer mais! Nesse ponto só existem dois caminhos: Ou você se desespera, abandona tudo e desiste ou vicia de vez e segue carreira. 

Estar no palco é aterrorizantemente maravilhoso! Por mais que as luzes não te deixem ver a platéia, você sabe que tem pessoas ali e que estão olhando pra você. E já que não dá pra fugir, o que resta é relaxar, aproveitar o momento sem correr com suas falas e/ou passos e transmitir toda a emoção do seu personagem. Dar o seu melhor! Se for passar de um lado pro outro do palco, faça isso da melhor maneira possível... Se for entrar em cena dizer uma frase e sair, faça dessa frase a chave do espetáculo... Se for um dos personagens centrais, conduza o enredo para o melhor do espetáculo... Seja como for, "ame a arte em você e não você na arte" - Stanislavski. Seja humilde! Aproveita e seja gentil com seus colegas de cena e também com os técnicos, todos têm a mesma importância!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Começo...

Primeiramente, gostaria de dizer que pretendo usar o espaço deste blog para compartilhar as experiências boas e ruins que vivi desde que comecei a fazer teatro.

A arte, de certa forma, sempre esteve no meu sangue! Minha mãe foi atriz de radionovela, interpretava três personagens (a avó, a mãe e a filha) na mesma novela. Não tive a oportunidade de ouvir uma de suas participações, mas presenciei alguns momentos inspirados dela me ajudando na construção de meus personagens quando comecei. Ficou mais do que provado que a minha veia predominantemente "trágica" é uma herança genética da minha mãe. Minha irmã também teve suas experiências no campo artístico, mas eu fui a única louca da família a enveredar integralmente por este mundo e ter a vontade de viver de arte... Viver de teatro!

Comecei no ano de 2001 na Cia. Teatral As Três Faces da Lua em Santos/SP. Confesso que procurei o teatro inicialmente por curiosidade, mas esse bichinho danado do teatro quando invade o coração pra valer, não há quem tire. Me apaixonei! E ao contrário de boa parte dos jovens adolescentes que entram para o teatro, eu nunca sonhei com sucesso ou objetivei estar na TV ou algo parecido. Comecei a fazer teatro e me apaixonei pelo "fazer teatral" puro e simples! Criar, exercitar a imaginação, viver outras vidas, mostrar a realidade com arte, divertir, advertir, ensinar, documentar e instruir. Foi por isso que eu me apaixonei!

E o que se segue... Vou contando por aqui aos poucos.