quinta-feira, 27 de junho de 2013

Infantis

Seguindo a ordem cronológica dos meus trabalhos como atriz... Depois de três dramas (“As Traíras”, “... Eternamente...” e “Às Sombras de um Carnaval”) fiz um infantil. Era uma cena de 15 minutos chamada “Quem Casa, Quer Casa – Ou Não” com base no texto de Tatiana Belinky e eu era uma coelhinha caipira bem bonitinha! Hehe

Mas o que eu realmente quero falar sobre infantis é a dificuldade de se fazer um espetáculo infantil. Fazer teatro infantil não é só muito mais difícil como também é preciso ter tanta qualidade quanto o teatro adulto. Deve-se ter muito cuidado, pois você passa valores para a criança. O teatro infantil não pode ser só diversão, tem que ser aproveitado para passar também coisas boas. É um público em formação em vários sentidos!

E enquanto o público adulto fica sentado mesmo odiando a peça e ainda aplaudem por educação no final, as crianças são mais sinceras... Se gostarem, vão prestar atenção, vão querer te abraçar, querer tirar foto e lembrarão de você por um bom tempo. Mas se não gostarem, pode esquecer! Vão correr pelo teatro, virar pra conversar com o amiguinho da fileira de trás e no final ainda te dão um chute na canela. É... Bem por aí!

Mas como vale a pena fazer algo para as crianças! É o público mais “difícil”, mas é também o mais gostoso. Se você, ator, acha gratificante ouvir aplausos e gritos de aprovação de um público adulto no final de uma apresentação, experimenta isso com o público infantil, experimenta apresentar pra crianças e desfrutar dessa mesma sensação de dever cumprido e público satisfeito. É indescritível!

Taí! Essa é mais uma experiência que eu acho que todo ator deveria ter. Alguns atores fazem questão de dizer que começaram sua carreira no teatro infantil. Como se o teatro infantil foi um estágio de evolução de um ator, como se fosse menor ou menos importante. Com isso se cria um abismo entre o teatro adulto e o infantil, que não deveria existir, pois tudo é teatro. Não existe diferença! É claro que as existem diferenças entre a forma de fazer um e outro, mas não no sentido de ser melhor ou pior. A dramaturgia é uma só! E teatro infantil de qualidade é igual ao teatro adulto de qualidade. É preciso investir numa boa produção, bons textos, bons atores, um ótimo figurinista, cenógrafo, diretor... Enfim, a qualidade está nos profissionais, na competência, no talento e na consciência desses profissionais.

Mais recentemente fiz a Branca de Neve, mas não é a Branca de Neve mesmo, mas sim uma boneca dela. E foi com essa montagem que eu tive a real noção do que é apresentar um espetáculo infantil, com toda aquela interação e magia que a criançada gosta. E a melhor sensação do mundo é ver aquelas carinhas felizes chamando o nome do seu personagem e te fazendo carinho.


Nem tem muito mais o que se dizer, a não ser que é uma experiência e tanto e eu recomendo demais!

sábado, 8 de junho de 2013

O tal do DRT

Primeiramente é preciso explicar o que é esse tal de DRT que todo mundo fala: DRT é a sigla de Delegacia Regional do Trabalho. Ou seja, “ter” um DRT significa ser registrado profissionalmente, ter sua profissão regulamentada na carteira de trabalho. Estabelecendo um comparativo para melhor compreensão: o DRT é como o CNA (Cadastro Nacional dos Advogados), por exemplo. Resumindo: um ator que “tem” DRT, teoricamente, é um ator profissional, que está preparado para atuar. TEORICAMENTE!

Dito isso, vamos agora entender o sentido das palavras “amador” e “profissional”... A principal definição de amador é: “aquele que ama”. E a principal definição de profissional é: “Aquele que exerce uma ocupação como meio de vida ou para ganhar dinheiro”. Se seguirmos essa lógica, eu posso me considerar uma “atriz amadora profissional”! Afinal de contas, sou atriz, amo o que faço e ganho dinheiro com isso. Não “tenho” DRT de atriz, mas isso nunca me impediu de exercer a função e de forma alguma isso me desqualifica como profissional da área.

Porque eu disse lá em cima que o DRT significa teoricamente que um ator tem preparo e qualificação para exercer a função? Simples! DRT é apenas um número de registro profissional que, não necessariamente, qualifica alguém. Algumas pessoas podem fazer inúmeros cursos e ter o bendito do DRT e não ser “tão bom assim”. O que impede um ator sem o tal registro de ser tão bom, ou quem sabe melhor, que um ator que tem esses números na carteira profissional?

DRT é só um número, assim como o RG, o CPF, o Titulo de Eleitor e etc... E nós somos mais que isso, somos muito mais que apenas números!

Acho errado dizer que uma produção com falhas é uma produção amadora... Uma produção falha ou sem técnica é só uma produção com erros primários ou sem qualidade. Tem ator por aí com 35, 40 anos de carreira que até hoje não aprendeu a fazer teatro, pois continuam cometendo os mesmos erros de sempre, fazendo as mesmas coisas sem qualidade e da mesma forma sempre. (Lembrando uma postagem minha anterior: erre bastante, mas erre pra aprender a fazer certo, pra não cometer mais os mesmos erros e abrir espaço para novos erros, crescendo cada vez mais!)

Escrevi tudo isso só pra dar uma opinião: Ser um ator com DRT não o torna melhor que um ator que não tem. Ser um ator com 100 anos de carreira não o torna melhor que um ator com 6 meses. Ter DRT não te garante trabalho. Ser arrogante não te leva a lugar algum, já ser humilde te torna uma pessoa melhor.

Só pra ficar claro, sei que posso ser crucificada por algumas coisas que escrevi aqui, mas é só a minha opinião. E opinião é como gosto, religião, futebol e política: não se discute! Concorde ou não, mas aceite!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Teatro Empresarial

Eis uma experiência que eu realmente preciso compartilhar! O teatro empresarial é uma maneira criativa e extremamente eficaz de capacitação profissional, de conscientização sobre procedimentos de segurança no trabalho e dinâmicas de grupos, além de promover um momento de lazer aos funcionários também ilustra a importância do trabalho em equipe e aprimora conhecimentos. Levar informação com diversão, essa é a principal função do teatro empresarial! Atraímos a atenção do público, o fazemos rir e ao mesmo tempo o ensinamos a ter um comportamento seguro, proativo, entre outros benefícios.

Você ator/atriz de teatro, imagine o seguinte: fazer de quatro a oito apresentações num único dia sendo a primeira às 05h30 da manhã e a última às 23h, numa sala sem acústica ou num espaço aberto, debaixo de uma lona num dia quente de verão, sem iluminação própria, na cara da plateia (bem pertinho mesmo), algumas vezes sem palco ou usando a carroceria de um caminhão como tablado e uma cadeira como escada, um camarim improvisado com tapumes, com um dia pra decorar o texto e de repente até sem tempo pra ensaiar direito. Imaginou? Pois bem, é mais ou menos isso o que acontece!

Se você pensa que isso é uma reclamação, aviso que é exatamente o contrário! Todas essas adversidades dão um gás novo e uma funcionalidade incrível ao ator. São detalhes que os atores acostumados às mordomias dos camarins e espelhos cheios de luzes ao redor que facilitam na hora de se maquiar, dos palcos italianos com luzes por todos os lados e acústica perfeita não conhecem.

Quando comecei a fazer teatro empresarial achei uma tremenda loucura e me apavorei, confesso! Mas hoje sei o quanto isso me ajudou e me transformou numa atriz (e pessoa) melhor. Atualmente continuo trabalhando na área com minha cia., a Katinsk Produções Artísticas, que possui vasta experiência em teatro empresarial. E essa coisa de algumas empresas entrarem em contato querendo um espetáculo pra SIPAT faltando dois dias pro evento é algo que realmente nos enlouquece a princípio, mas com o tempo nos aprimora. E aí quando você tem três meses pra decorar o texto, preparar o personagem e ensaiar um espetáculo fica tudo muuuuuuuito mais fácil! O mesmo acontece quando você já está habituado a se apresentar em salinhas pequenas e de repente se vê no palco de um grande teatro.
 
Enfim, acho que todo ator/atriz de teatro deveria trabalhar com teatro empresarial por pelo menos um mês. E ao final dessa experiência, retornando aos grandes palcos numa produção que permita um trabalho mais apurado e há longo prazo, certamente notará as mudanças em sua forma de ver o “fazer teatral”, os benefícios trazidos pelos percalços e os atalhos, truques e dicas aprendidos com o teatro empresa.

Indico e sugiro aos atores que tiverem oportunidade de viver essa experiência que o façam com a mente e o coração abertos, certos de que apesar de eventuais momentos de stress inevitáveis, terão boas histórias para lembrar depois e uma bagagem e tanto!