domingo, 21 de julho de 2013

Intensamente delicado

Chegamos ao ano de 2006 com a montagem da cena “Meninas do Brasil” inspirada no livro “Meninas da Noite” do jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein que é o resultado de uma série de reportagens sobre a prostituição infantil. A cena de 15 minutos segue a linha abordando o assunto de forma intensa e delicada!

Essa cena foi um verdadeiro acontecimento, pois o elenco não esperava algo tão intenso e teve apenas um mês para deixar tudo pronto para participar da décima edição do FESCETE (Festival de Cenas TESCOM). Surpreendentemente e para a alegria de todo o grupo, a cena foi vencedora do festival! Também recebeu indicações de melhor atriz, sonoplastia e direção, e ainda conquistou o prêmio de melhor texto original.


Era eu, mais uma vez, “enfiando o pé no drama”! É mais um trabalho que tenho orgulho de ter participado, orgulho de ter no currículo artístico!

Apesar de ter pouco tempo para ensaiar e a aprontar a cena (embora noção de tempo se torne algo muito relativo depois que se começa a fazer teatro empresarial), eu e as outras meninas do elenco fizemos um belo trabalho de mesa. Desde criação de uma gênese completa dos personagens até uma pesquisa discreta no centro da cidade de Santos onde se encontra uma grande concentração de mulheres na função.


Melhor não falar muito sobre a cena... As imagens falam por si só! Abaixo vai o vídeo com a cena completa para quem quiser assistir e entender um pouco. Espero que gostem!

sábado, 6 de julho de 2013

O Ministério da Saúde adverte!

Há quem diga que o teatro é uma droga daqueles que te tornam dependente e que provocam inúmeras reações. E é tão poderoso que basta experimentar uma única vez para viciar e não querer largar nunca mais.

Algumas outras pessoas dizem que o teatro é uma doença. Daquelas que se pega no ar, basta entrar num teatro e pisar num palco e pronto: INFECTADO! E algumas vezes, a “doença” do teatro pode ser genética. Uma vez infectado, o teatro fica gravado no DNA e pode ser transmitido por gerações e gerações seguidas.

Eu acho que o teatro tá mais pra um fungo, uma larvinha ou um parasita, tipo um bicho geográfico, sabe? Ele penetra na pele e vai tomando conta do corpo todo... Até que chega ao coração. E aí já era! Você será um eterno apaixonado por teatro! Bichinho danado esse, não?

Seja como for, uma vez contaminado, infectado, conquistado, arrebatado verdadeiramente pela magia do teatro, não há como abandoná-lo! As exceções que conseguem se desprender desse vício, é porque são naturalmente imunes aos encantos desta arte.

Como disse Fernanda Montenegro quando questionada sobre qual conselho daria à um ator em início de carreira: “Desista!... Confundem teatro com liberdades, licenciosidades, glórias, paetês, retrato no jornal, riquezas."... Porém,... "se morrer porque não está fazendo isso, se adoecer, se ficar em tal desassossego que não tem nem como dormir, aí volte, mas se não passar por esse distanciamento e pela necessidade dessas tábuas aqui, não é do ramo".


E o Ministério da Saúde adverte: não há vacina, tratamento e nem muito menos cura para a doença (amor, dependência, vício) pelo teatro! Ainda bem!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A Divindade do Teatro

Não existem provas sobre a origem do teatro, mas a teoria com que mais se concorda diz que a origem do teatro ocidental é Grega e teve seu início nas festas em honra ao Deus Dionísio (ou Baco na mitologia Romana), que é o Deus dos ciclos vitais, da alegria e do vinho.

Eu, modestamente, não apenas concordo e aceito essa teoria como também acredito que essa seja a melhor forma de explicar a natureza divina do fazer teatral, que é análogo ao de um sacerdócio, em que o palco é um lugar elevado para oferecer sacrifícios aos deuses ou heróis, ou seja, um altar, e os atores são os sacerdotes dos deuses. A prática do palco exige dedicação absoluta, sacrifício e paixão. Prazer no sacrifício, isto é, vocação!

O teatro é um ritual religioso em que os deuses (atores) descem à terra para comemorar, festejar, confraternizar, provocar, mudar, emocionar e depois se vão. Sim! O ator é como um Deus nos palcos, onde ele pode fazer tudo e ser tudo, tendo o poder de realizar coisas inimagináveis, de dar vida a diferentes seres e de viver várias vidas em uma só.

O fato é que o teatro tem a idade dos deuses e todos os dias, no momento em que um ator pisa num palco, ele estará celebrando com paixão e respeito seus deuses protetores.

O teatro é essencialmente aquele momento entre o ator e o espectador. No momento em que o espetáculo é encenado ele está ali, é real, você pode senti-lo. Quando a peça acaba, o teatro some. Aquela arte, aquela história, as imagens, as personagens, desaparecem. No dia seguinte, o teatro surge novamente e extingue-se da mesma forma. É momentâneo, fugaz! O resto é só preparação para isso. O teatro mesmo é uma arte efêmera, pois aparece só ali, nesse encontro entre artistas e espectadores, com a benção do deus Dionísio.